Que bosta não virei o Homem-Aranha!!!

Date 31 março 2008

A muitoooooo tempo atrás, exatamente 18 anos atrás, época esta em que eu tinha 12 anos de idade foi quando tudo aconteceu.
Essa lembrança não me sai da memória jamais, talvez pelo fato de ser uma lembrança ruim e dolorosa, e como todos sabem muito bem lembranças deste tipo por mais que procuremos deixar para trás e nos esquecermos dela mais ela fica ativa em nossa memória, talvez fique até esquecida por um tempo, mas sempre um objeto chave ou algum assunto parecido em uma conversa com familiares ou amigos nos fazem trazer estas lembranças de volta.

O fato aconteceu em minha casa, aqui em Taubaté no interior de São Paulo o bairro aqui sempre foi muito calmo e gostoso de se morar, tirando um terreno grande e baldio perto de casa e minha casa fazer fundos com uma grande chácara (o que as vezes garantia visitas de animais inoportunos no quintal de casa, como raposas, porquinhos da índia selvagens, gambá e um dia até uma cascavel (juro é verdade)), dentre os mencionados citando também as aranhas, estas visitas quase que constantes.

Um belo dia ao dormir deixei meu tenis (all star rs), no muro do quintal (o quintal era cercado somente dos lados deixando aberto a ligação com a chácara), o tênis estava do lado de fora para ser meio que “purificado” pois eu realmente tinha um chulé dos infernos, tranquilo no outro dia perto do horário do almoço meu pai e minha mãe estavam querendo ir fazer compras e eu fui pegar o meu tênis no muro para calça-lo e ir também (não me recordo mas aqui falando até parece que ele era filho único), já era esperto com aranhas e bichos e tals, e assim sendo sempre batia o tênis antes de calça-lo com a intenção de remover algum bicho caso estive hospedado ali dentro.

E fiz o ritual de sempre, batidas para ver se algo caia dali como nada caiu, peguei a palmilha do tênis que estava solta e fui enfiá-la dentro do tênis (erro quase fatal, quase porque ainda to vivo claro), e senti uma picada no dedo, não dava claramente para distinguir como uma picada de inseto, parecia mais como se tivesse enfiado uma agulha entre o dedo médio e o indicador, pouco tempo depois descobri claramente que não era uma agulha por causa da dor que ia irradiando braço acima.

Avisei meus pais já aos berros e eles disseram que devia ser uma agulha ou carrapicho algo dentro do tênis, meu irmão o pegou e começou a bater na parede para ver se tinha algo dentro dele, mas bater mesmo com força e a maldita não saia, depois de muito insistir ela caiu já tonta, deixando ser capturada rapidamente em um vidro de maionese hellmans vazio (eita memória boa, pra lembrar disso!).

Corremos para um pronto socorro da cidade, e descobrimos que o mesmo havia sido desativado e que o atendimento só era feito em outra parte da cidade, neste momento meu pai e minha mãe claramente já ficando meio desesperados por eu estar branco de dor e avisando que o lado esquerdo todo do corpo estava formigando e doendo muito (e com um pequeno torniquete feito de lenço apertando o dedo pra cortar a circulação, algo que comprovadamente hoje em dia todos sabem que nem funciona), corremos e chegamos ao pronto socorro municipal, que ficava no prédio do hospital escola da Unitau naquele tempo.

Quando chegamos e a moça indicou que teríamos que fazer uma ficha para ser atendidos meu pai meteu o pé na porta dupla lateral e me levou até um dos consultórios que haviam naquele corredor, ao ver a reação e claramente ação de desespero dele o atendimento foi imediato, um médico veio me atender, meu pai mostrou a aranha para o médico que a pegou e passou para 2 outros médicos pesquisarem e acharem qual era o tipo daquela aranha para ele aplicar o medicamento correto, eis que o médico me diz para deitar na maca e eu solto a irreverente “não to com sono não”, sei lá o que se passa na cabeça em um momento destes para falar isso, mas foi muito bem lembrada esta frase em todos encontros da família e festas para meu claro desconforto rs rs rs.

Rapidamente retornam os médicos que tinham levado a aranha, identificaram a mesma como uma aranha ARMADEIRA (que tem o nome científico de Phoneutria (nem sei por que iriam querer saber o nome cientifico deste bicho mas tá ai) e tem o nome ARMADEIRA por sua capacidade de “armar”  botes contra seus inimigos e predadores, neste bote ela ergue as duas patas dianteiras e usa para dar impulso em um salto afim de atacar, esta aranha é reconhecida como sendo uma das que tem atitudes mais agressivas ou seja a filha da puta gosta de foder com a gente mesmo).

Algumas fotos da aranha desta espécie, podem chegar a até 15 cm contando o tamanho das pernas:
Aranha Armadeira

    

O médico me veio com duas baitas seringas (devem imaginar minha felicidade no momento, pois tenho pavor de agulhas rs), e deu as injeções naquela parte molinha da pelinha que fica entre um dedo e outro o vãozinho entre os dedos, foi tanto liquido ali que não sei se por causa deles ou da picada meu dedo me lembrava um salame naquele momento e se me lembro bem fiquei de observação por 1 hora ali no pronto socorro, quando o tempo estava terminando o médico veio para me perguntar se estava bem se havia passado a dor, e me avisou que caso a dor não passa-se teria de ficar ali mais um tempo e tomar soro até melhorar,  e eu menti na maior cara de pau que ja tinha se passado a dor sim, (e o medo de ficar no soro, ta certo que agi errado mas naquela idade quem age certo), estava doendo pouca coisa ainda e eu achava que esta pouca coisa claramente era menos dolorido do que tomar o soro, e dá-lhe “alta” para poder ir embora pra casa.     Indo para o carro lembrei de meus gibizinhos do Homem-Aranha e se ele tinha passado por isso também, pobre Peter Parker, e se algum dia eu me veria escalando paredes e soltando teias por algum lugar legal que não fosse claramente o anal, por ter recebido aquela dolorosa picada.

Não ganhei super poderes, não consegui escalar paredes, não solto teais por lugar algum e hoje em dia tenho um certo pavor e ódio (deve ter sido pelo trauma claramente), destes bichos idiotas que são as aranhas.

Pelo menos ao sair do hospital e irmos pegar o carro vi que a aranha ainda estava no vidro com minha mãe (eles haviam devolvido, Troféu???  Boa Recordação???   Pra por no Presépio??? sei lá), ela estava claramente mais morta do que viva, encolhida no canto, peguei o vidro e falei pra ela que ia matar a aranha, abri o vidro, joguei ela na calçada e dei-lhe um belo pisão daqueles que inseto algum escaparia com vida, a aranha virou um monte de pasta grudenta reconhecível pelo que foi um dia apenas pelas grandes pernas que saiam dali.

E a sensação ao dar aquele pisão sabem qual foi?   Nenhuma…  Não me deixou feliz, apesar de eu ter rido talvez para mim próprio num claro ato de “eu venci” , aquilo não me preencheu com quaisquer sentimentos de felicidade ou alegria.

3 Respostas para “Que bosta não virei o Homem-Aranha!!!”

  1. Carol Costa diz:

    O texto está bom, mas esse final é realmente tocante! Pobre aranha, que só picou para se defender…

    Dia desses, fui para Minas com alguns amigos e, sol se pondo, ouço um deles berrar do quarto. Uma enorme caranguejeira aproveitava os últimos fiozinhos de luz para descansar bem em cima da cabeceira da cama do rapaz. Era tão grande que teve de encolher as pernas quando eu emborquei um copo de vidro para pegá-la. Soltei no jardim, de onde a coitada nunca deveria ter saído. Nenhum registro de mortos ou feridos.

  2. Ralph diz:

    Carol Costa »
    Hoje em dia acredito que toda vida é sagrada.
    Mas naquele tempo era criança…
    E com um ódio mortal daquela aranha que escolheu meu tenis como moradia provisória…
    Apesar que quando vejo aranhas em especifico ou animais peçonhentos geralmente a reação primária é exterminar :(

  3. ERICK diz:

    VIXXX
    akokoa
    eu crio 2 aranhas uma caranguejeira… e uma armadeira semelhante a que esta na foto i realmente u bixo é furioso!

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